 |
Da
catedral Juscelino se deslocou para o prédio do Congresso Nacional.
Formou-se, novamente, o interminável cortejo de automóveis. A multidão
que se concentrava em torno do edifício, nos seus acessos, nos salões
e corredores, tornava quase impossível a caminhada do Presidente
e das autoridades que o acompanhavam.
Uma Comissão de parlamentares havia sido designada para conduzir
JK ao gabinete do deputado Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara,
mas naquela confusão a comissão "se perdeu", misturando-se com a
multidão. Foi nessa hora que o deputado José Bonifácio de Andrada,
primeiro secretário da Câmara, improvisou, com a ajuda de funcionários
do Congresso, uma "faixa de segurança", um semicírculo em torno
do chefe de governo, permitindo que ele pudesse atravessar a multidão.
José Bonifácio, deputado pela UDN, o maior partido da Oposição,
fora contrário à construção de Brasília e era adversário de JK em
Minas Gerais. Mazzilli aplaudiu a iniciativa do deputado e lhe pediu
que abraçasse Juscelino. — "Abraço sim", disse o deputado oposicionista;
"sou amigo de Juscelino. Nossas diferenças são apenas políticas
e se não melhoram é porque ele nos pregou esta peça..."
A peça a que se referia era, naturalmente, a construção de Brasília.
O Presidente rindo, e numa alusão à idéia pioneira do outro José
Bonifácio, o Patriarca, ascendente do deputado, lhe disse:
— "Quem lhe pregou esta peça, Zezinho, não fui eu mas seu avô..."
O programa oficial, previa que o Senado e a Câmara realizariam,
separadamente, no começo da manhã, sessões próprias de instalação
na nova Capital. Duas horas depois haveria, então, a reunião conjunta,
solene, das duas Casas, com a presença do Presidente da República,
do Legado Pontifício, dos Embaixadores em Missão Especial, do Presidente
do Supremo Tribunal, dos Ministros, Governadores e outras autoridades
e convidados. Na véspera decidiu-se realizar, apenas, a sessão conjunta.
Ao entrar, Juscelino, às 11h40min, no plenário da Câmara, acompanhado
da refeita Comissão de parlamentares, foi acolhido com intensa ovação.
Autoridades e convidados, deputados e senadores e o povo que superlotava
as galerias, prorromperam em aplausos e gritos de "Viva Juscelino",
enquanto o Presidente atravessava o corredor central até chegar
ao seu lugar na mesa, de onde acenou repetidamente aos que o aplaudiam.
Durante os discursos, sempre que seu nome era mencionado, novas
manifestações de entusiasmo se verificavam.
O Vice-Presidente da República e Presidente do Congresso Nacional,
João Goulart, abriu a sessão e, no discurso que em seguida leu,
declarou oficialmente instalados os trabalhos do Congresso na nova
Capital. Falaram, também, Filinto Muller, Vice-Presidente do Senado
e Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara.
No encerramento da Sessão Solene, João Goulart designou a mesma
comissão que introduzira o Presidente no recinto para acompanhá-lo
até à rampa de saída, mas o hall do prédio fora literalmente tomado
por massa humana que, à força, tentava agora carregar nos ombros
o Presidente até seu carro. Foi necessária muita persuasão para
evita-lo, trocando JK a "homenagem" pela assinatura de centenas
de autógrafos dados na hora.
|